Rede de Saúde da Serra amplia apoio a famílias que enfrentam perda gestacional
A dor da perda de um filho pode ser devastadora para os pais — inclusive para aqueles que ainda estão na fase de preparação para a chegada do bebê — e esse momento exige cuidado e sensibilidade. Pensando nisso, o Hospital Municipal Materno Infantil da Serra (HMMIS) conta com um programa voltado a oferecer acolhimento a essas mulheres e seus familiares.
A proposta é garantir um espaço reservado para essa família, que acaba de vivenciar uma perda gestacional, de modo que essa dor não seja intensificada pelo contato com outras mães e seus recém-nascidos.
Caso seja o desejo da família, as mulheres que passam por esse tipo de perda no HMMIS também podem receber uma cartinha simbólica, com uma “mensagem do bebê”, escrita pelas profissionais da maternidade. Além disso, elas ainda contam com o acompanhamento psicológico e o suporte da equipe de assistência social da unidade.
Após a alta hospitalar, as profissionais avaliam a necessidade de continuidade do atendimento, e, quando indicado, a paciente é encaminhada para dar seguimento ao acompanhamento com a equipe de Saúde Mental de sua Unidade de Saúde de referência.
O programa está em funcionamento desde a inauguração do hospital, em 2022, e foi estruturado com base, principalmente, na Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento, publicada pelo Ministério da Saúde em 2011. Somente entre janeiro e junho deste ano, 190 mulheres foram internadas no hospital em decorrência de óbito fetal.
Em maio deste ano, o Governo Federal sancionou a Lei 15.139/2025, que institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, com vigência prevista para o final de agosto.
Para o secretário de Saúde da Serra, Diogo Cosme, a aprovação da nova legislação confirma que a Saúde da Serra está avançando na direção certa, ao investir em uma rede de cuidado que considera a mulher em sua totalidade, respeitando sua dor e oferecendo apoio para seguir em frente.
“Desde 2022, o Hospital Municipal Materno Infantil da Serra já atua com um programa que oferece acolhimento, cuidado e respeito às mulheres que enfrentam a dor da perda gestacional. É um trabalho construído com base em diretrizes humanizadas, que coloca a paciente no centro do cuidado, com escuta qualificada, apoio psicológico e social. Ver essa pauta ganhando força em nível nacional reforça a importância de políticas públicas sensíveis e reafirma o nosso compromisso com uma saúde que acolhe e respeita em todos os momentos da vida — inclusive nos mais difíceis”, destacou o secretário.
Dor emocional profunda
A enfermeira obstetra e coordenadora do HMMIS, Bruna Sena, relata que atender uma paciente em situação de perda gestcional é uma das experiências mais complexas emocionalmente na prática clínica.
Segundo Sena, envolve não apenas os aspectos médicos e técnicos, mas, principalmente, um olhar humano, empático e acolhedor diante de uma dor física e, muitas vezes, emocional profunda.
“Muitas vezes, as pacientes chegam ao pronto-socorro assustadas, com sangramentos, dor abdominal, e uma expressão de medo nos olhos. Algumas já sabem o que está acontecendo; outras não compreendem exatamente o que aquele sangramento representa. O primeiro passo é estabilizar fisicamente a paciente: aferir sinais vitais, fazer exames laboratoriais e de imagem, oferecer analgesia, monitorar o sangramento e, se necessário, realizar procedimentos como curetagem ou aspiração uterina”, explicou.
No entanto, de acordo com Bruna, o procedimento nem sempre é a parte mais difícil.
“É olhar nos olhos de uma mulher que tinha expectativas sobre aquela gestação e dizer, com cuidado e clareza, que ela perdeu o bebê. Em casos de aborto espontâneo, há muito choro, silêncio e perguntas que nem sempre temos como responder: ‘Por quê comigo?’, ‘Eu fiz algo errado?'”, conta a enfermeira.
Independente da causa ou circunstância, Bruna destaca que é fundamental lembrar que cada paciente traz sua história, seus traumas, suas dúvidas e expectativas. “A nossa escuta precisa ser atenta e respeitosa. Precisamos ser presença segura em um dos momentos mais frágeis da vida de uma mulher”.
A profissional ainda finaliza: “Sair de uma sala de atendimento após um aborto é sempre impactante. Há um silêncio que paira, mesmo que a rotina exija pressa. Às vezes, é difícil não carregar isso para casa. Mas é também um lembrete do porquê escolhemos essa profissão: cuidar da vida em todas as suas formas — mesmo quando ela termina antes de começa”.
Perda Gestacional
O diretor técnico do HMMIS e médico obstetra, Eduardo Pereira Soares, explica que a perda gestacional pode ocorrer em diferentes fases da gravidez, e cada uma delas exige um cuidado específico por parte da equipe de saúde.
“Nos casos iniciais, geralmente nos primeiros meses de gestação, os sinais mais comuns são sangramentos e cólicas intensas. Nesses atendimentos, muitas vezes o diagnóstico é feito por meio da ultrassonografia, quando se constata a ausência do embrião ou a falta de batimentos cardíacos. Já a partir das 22 semanas, tratamos como óbito fetal, que pode ocorrer por diferentes motivos, nem sempre com sintomas evidentes”, afirmou o especialista.
Ainda segundo Eduardo, nessas situações de óbito fetal, a conduta médica é definida caso a caso — podendo envolver a permanência da paciente no hospital ou o retorno para casa, quando há sinais de que o corpo irá conduzir o processo naturalmente.
“Desde o momento do diagnóstico, oferecemos apoio psicológico e o acompanhamento da equipe de assistência social, tanto para a mulher quanto para o acompanhante. Esse cuidado continua mesmo após a alta hospitalar, com possibilidade de encaminhamento para a rede municipal de saúde. E, para as famílias que desejarem, o hospital também entrega uma carta simbólica, com uma mensagem de despedida do bebê, como forma de acolher esse luto com o respeito e a delicadeza que ele merece”, informou Eduardo.
Hospital Materno Infantil da Serra
Localizado no bairro Colina de Laranjeiras, o Hospital Materno Infantil da Serra foi inaugurado em fevereiro de 2022. Diariamente, realiza cerca de 100 atendimentos e contabiliza, em média, 320 partos por mês.
Com uma equipe composta por aproximadamente 400 profissionais de saúde e 25 médicos especialistas por dia, o HMMIS é a única maternidade municipal do Estado, atendendo moradores da Serra e de municípios vizinhos.
Entre os diversos serviços oferecidos, o hospital conta com um Banco de Leite Municipal e até mesmo um posto de registro de nascimento, em parceria com o cartório.
Fonte : Prefeitura da Serra

Jornalista e corretora ortográfica. Atua na revisão, padronização e produção de conteúdo jornalístico, com experiência em rede de notícias e assessoria de imprensa, assegurando clareza, precisão e credibilidade da informação.
O Consórcio de Notícias do Brasil (CNB) é uma iniciativa pioneira que integra jornalismo digital e tecnologia da informação para oferecer conteúdo de qualidade em diversas plataformas, destacando-se como uma fonte confiável de notícias em todo o país.


